e ela se deitou à chuva,
com o asfalto a prendendo cada vez mais.
depois ela se deitou na grama,
para perder a noção do tempo.
E assim que ela acordou do sonho,
achou que talvez um dia isso deveria ter acontecido.
terça-feira, 26 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
me corroí
Seremos nós a dispensar todos os dias de indecisão?
A minha decisão repousa sobre você?
Ela te contamina?
E a sua, por que ela me acusa de obsoleticidade?
Acho que estamos todos no mesmo barco,
e sempre acharei algum defeito, no seu remo,
mas sentirei inveja, de como o usa.
domingo, 3 de abril de 2011
Na verdade, era verão.
Sua cabeça estava quente, mas o corpo se entregava frio.
Sem forças,
sem respostas, opiniões,
e absolutamente nenhuma força de vontade.
O que fez para caminhar até ali, de tão longe e tão longo tempo de estrada?
Você se esquecia?
E agora eu me lembrei de você!
Que bom te ver, tá tudo acumulado hein?
Vamos cuidar desses nervos, dessas idéias, dessa alimentação!
Os meus nervos eu já cansei, as minhas idéias eu já perdi, e minha alimentação já acelerei.
Então o melhor a se fazer, sem sombra de dúvidas,
é deitar com os pés pra cima,
ou colocar a cabeça pra baixo.
Se virar tudo de ponta cabeça, qual a chance de piorar?
Você mistura os seus problemas, forma uma bola,
e descobre que é um só.
Faça um suco de laranja, ou brinque de futebol.
sábado, 19 de março de 2011
A pipa
Você monta ela com carinho.
Gruda os dedos na cola e estraga o papel de seda roxo.
Mas tudo bem.
Você só quer ver ela voar.
Sem interferência de outra objetivo,
porque aquilo te acalma.
Quem dera fosse você.
(e te acalma, porque você não pode).
Gruda os dedos na cola e estraga o papel de seda roxo.
Mas tudo bem.
Você só quer ver ela voar.
Sem interferência de outra objetivo,
porque aquilo te acalma.
Quem dera fosse você.
(e te acalma, porque você não pode).
sábado, 12 de março de 2011
É o que será de nós?
Estamos em março!
Mês 3!
Faltam 9 meses!
Nove meses para o fim de ano!
E o que será de nós?
Por favor 2012, não me machuque.
Mês 3!
Faltam 9 meses!
Nove meses para o fim de ano!
E o que será de nós?
Por favor 2012, não me machuque.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
trânsito
a morte vive pra sempre,
não é irônico?
e aí ela causa saudade.
e saudade de morte,
é também uma coisa que vive pra sempre.
não é conveniente?
e então vem a tristeza.
e quanto mais feliz é ela,
mais triste é você.
não é irritante?
e quanto mais feliz é você,
menos você lembra da morte,
e mais você convive bem com a saudade.
e a tristeza fica triste, e a morte fica morta.
até tudo voltar, é claro.
e qual é o propósito disso?
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
nos dói
acho que o mais difícil na vida,
é saber que enquanto você cresce as outras pessoas crescem também.
É ter que chegar um dia,
que algumas andam mais rápido que você,
e aí não enxergar mais.
E também lembrar, e lembrar, porque só resta isso.
acho que o mais difícil da vida é aceitar que até você ir,
muitas outras irão na sua frente,
às vezes correndo, às vezes te acompanhando,
às vezes sumindo, e às vezes voltando.
a às vezes esse é o propósito dela, da vida.
Quer saber de que jeito a gente vai andar com ela.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
fim de semestre
com grande certeza posso dizer,
que para esse fim de semestre,
invariavelmente,
passo dias sim, dias não,
entre um corpo vivo e um corpo morto.
ontem eu era um peso, uma dor,
uma tristeza e conformação.
hoje eu vivo.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
salada de frutas
eu queria muito escrever sobre o que eu estou sentindo agora.
mas a cada minuto que passa isso muda um pouquinho.
e aí não sei sobre qual escrever!
só que no final das contas,
de todos incômodos que você pode sentir,
qual a linha fininha que separa?
acho que talvez ela nem exista, e ficamos criando adjetivos pra amenizar ou piorar a situação.
a questão é que pensei em muitos já,
e já senti muitos,
e já cansei de todos nesse momento.
e,
ao que realmente devemos dar atenção,
mas deixamos de lado por ele ser assim tão discreto,
é aquele que nos acomoda no sofá,
nos relaxa o corpo quase inteiro,
e nos angustia na garganta pra que notemos sua presença.
não sei o nome dele.
e por isso mesmo que ele é tão maior do que eu gostaria.
domingo, 17 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
mesmo se nunca soubermos
pode ser que isso não seja nem um pouco sério,
e pode ser que daqui retornaremos ao pó,
seremos pó,
e só,
pra sempre depois de morrer.
mas eu acredito piamente que algum dia,
não nestes que aqui estamos,
eu conheci você,
e você,
e você,
e você.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
domingo, 3 de outubro de 2010
hoje votaremos mais um vez
talvez a monotonia não fosse dela.
e talvez a gula também não.
acho que era um problema desse novo século,
parado, e faminto por voz.
todo mundo já se acomodou de novo.
sábado, 25 de setembro de 2010
pegou o pincel
e aí que nela despertou um bloquinho de concreto bem estranho entre as costelas,
que com certeza era um desafio promovido pelos dois partidos vividos dentro dela.
e simplesmente deixar aquilo ir embora,
seria uma falta imensa de consideração com os seus sentimentos,
tão afoitos, presentes, cientes, e ansiosos.
ainda bem que foi sensata,
e nomeou cada um de uma cor.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
o desespero do dia.
o nosso tempo certamente não é mais como o dos nossos pais.
não somos como os nossos pais.
estamos vivendo o futuro pelo presente, e o nosso presente não é mais que um constante passado.
aonde vamos parar com isso?
você não sente um desespero?
uma ansiedade inquietante e ao mesmo tempo tão ociosa, capaz de fazer nada?
uma vontade de gritar - pra si mesmo - e começar todas aquelas coisas de segunda-feira!
e as crianças?
o que serão das crianças?
e eu ainda sou uma criança!
então o que eu sou realmente?
uma folhinha de papel bem fininha e transparente?
e o pião, a pipa, e o pneu de balanço?
Elas não conhecem.
caracoles!
domingo, 19 de setembro de 2010
os cute-cutes
uma girafa bem pescoçuda e fofa me lembrou como era fechar os olhos e dormir.
assim como o pintinho gigante e vaca-dálmata.
Um zoológico na minha cabeça.
Mas de fato, animal.
um quadro-negro
Ali havia uma casa com as janelas de vidro abaixadas.
Só entrava luz e não se trocava o ar.
Era a tevê dela.
Era o que era ela.
(Penteava seu cabelo cem vezes antes de dormir.)
Mas de repente, chegou um passarinho, que bicava sua janela.
Pedia pra entrar, pois o vento estava muito forte.
E lá ela já tinha sentido o ar?
A passarinha fez seu ninho, muito bem feito como faziam por ali,
botou 3 ovos, cada um de um jeitinho.
Assim que quebrasse o primeiro por mera coincidência e fatalidade,
a menina saberia o que era vendaval. (Seria horrível, piou).
Assustada, ficou 5 meses de cama.
Disse: Machuquei, me estrepei, e sequer me encostei!
Quando caiu o segundo, por 'descuido de minha asa',
soube então o que era chuva.
Balançada, achava os olhos indecisos.
Um pouco dramáticos. É verdade.
E assim que me trouxe o terceiro,
num prato limpo e arrumado,
quase um espatife organizado,
soube então o que era brisa.
Seus cabelos já se arrumavam sozinhos.
Sua janela era aberta de manhã.
E a casa permaneceu desarrumada.
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