quinta-feira, 25 de novembro de 2010

é difícil

calma criança,
você tem mais algumas décadas pela frente,
mas não precisa envelhecer.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

eu sei quando eu sinto medo porque o meu coração bate mais rápido e minha voz some.
e é só eu que sinto.
mas não é só meu.
é seu também!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

e foi assim:
ela pensou, 'por que não posso largar isso aqui do meu lado, e isso continuará flutuando comigo, ao meu ladinho, sem esforço, nem meu, nem disso, nem de ninguém"

mas olha o que deu na Terra.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

salada de frutas

eu queria muito escrever sobre o que eu estou sentindo agora.
mas a cada minuto que passa isso muda um pouquinho.
e aí não sei sobre qual escrever!
só que no final das contas,
de todos incômodos que você pode sentir,
qual a linha fininha que separa?
acho que talvez ela nem exista, e ficamos criando adjetivos pra amenizar ou piorar a situação.
a questão é que pensei em muitos já,
e já senti muitos,
e já cansei de todos nesse momento.
e,
ao que realmente devemos dar atenção,
mas deixamos de lado por ele ser assim tão discreto,
é aquele que nos acomoda no sofá,
nos relaxa o corpo quase inteiro,
e nos angustia na garganta pra que notemos sua presença.
não sei o nome dele.
e por isso mesmo que ele é tão maior do que eu gostaria.


domingo, 17 de outubro de 2010

foi a luz que piscou ou meu cérebro que cansou de pensar por um segundo?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

mesmo se nunca soubermos

pode ser que isso não seja nem um pouco sério,
e pode ser que daqui retornaremos ao pó,
seremos pó,
e só,
pra sempre depois de morrer.

mas eu acredito piamente que algum dia,
não nestes que aqui estamos,
eu conheci você,
e você,
e você,
e você.




terça-feira, 5 de outubro de 2010

são meus cabelos ficando brancos,
ou minhas idéias que estão envelhecendo?

domingo, 3 de outubro de 2010

hoje votaremos mais um vez

talvez a monotonia não fosse dela.
e talvez a gula também não.
acho que era um problema desse novo século,
parado, e faminto por voz.

todo mundo já se acomodou de novo.

sábado, 25 de setembro de 2010

pegou o pincel

e aí que nela despertou um bloquinho de concreto bem estranho entre as costelas,
que com certeza era um desafio promovido pelos dois partidos vividos dentro dela.
e simplesmente deixar aquilo ir embora,
seria uma falta imensa de consideração com os seus sentimentos,
tão afoitos, presentes, cientes, e ansiosos.
ainda bem que foi sensata,
e nomeou cada um de uma cor.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

o desespero do dia.

o nosso tempo certamente não é mais como o dos nossos pais.
não somos como os nossos pais.
estamos vivendo o futuro pelo presente, e o nosso presente não é mais que um constante passado.
aonde vamos parar com isso?
você não sente um desespero?
uma ansiedade inquietante e ao mesmo tempo tão ociosa, capaz de fazer nada?
uma vontade de gritar - pra si mesmo - e começar todas aquelas coisas de segunda-feira!
e as crianças?
o que serão das crianças?
e eu ainda sou uma criança!
então o que eu sou realmente?
uma folhinha de papel bem fininha e transparente?
e o pião, a pipa, e o pneu de balanço?
Elas não conhecem.
caracoles!


domingo, 19 de setembro de 2010

os cute-cutes

uma girafa bem pescoçuda e fofa me lembrou como era fechar os olhos e dormir.
assim como o pintinho gigante e vaca-dálmata.
Um zoológico na minha cabeça.
Mas de fato, animal.

um quadro-negro

Ali havia uma casa com as janelas de vidro abaixadas.
Só entrava luz e não se trocava o ar.
Era a tevê dela.
Era o que era ela.
(Penteava seu cabelo cem vezes antes de dormir.)

Mas de repente, chegou um passarinho, que bicava sua janela.
Pedia pra entrar, pois o vento estava muito forte.
E lá ela já tinha sentido o ar?

A passarinha fez seu ninho, muito bem feito como faziam por ali,
botou 3 ovos, cada um de um jeitinho.
Assim que quebrasse o primeiro por mera coincidência e fatalidade,
a menina saberia o que era vendaval. (Seria horrível, piou).
Assustada, ficou 5 meses de cama.
Disse: Machuquei, me estrepei, e sequer me encostei!

Quando caiu o segundo, por 'descuido de minha asa',
soube então o que era chuva.
Balançada, achava os olhos indecisos.
Um pouco dramáticos. É verdade.

E assim que me trouxe o terceiro,
num prato limpo e arrumado,
quase um espatife organizado,
soube então o que era brisa.

Seus cabelos já se arrumavam sozinhos.
Sua janela era aberta de manhã.
E a casa permaneceu desarrumada.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Praquepá

Há 600 dias, eu decidi que deixaria o capim crescer.
Olhava a minha estrada, e a cada semana, sentia meu pé pinicar.
Gostava de ver.
E nem sabia o porquê!
Esperando pelo o que eu não sabia também,
senti um não-desespero bem acomodado.
Até que, sentada no meu banquinho, no meu círculo de mato,
senti uma tremidinha na terra.
Não era do coração, era da terra!
E aí dei espaço para aquela árvore imensa crescer sobre os meus ombros,
e me levar para o céu.
Quando subi me dei conta, de quantas estradas o capim tinha obrigado formar.
E agora, era só escolher.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ai, o sustento.

ontem,
a chuva veio e lamentou o dia.
hoje,
o sol nasceu e iluminou a tarde.
e à noite,
como toda noite sempre acontece,
veio ontem,
e vem hoje,
pra me pôr pra dormir.

porém,
como se a atmosfera empurrasse todas notícias para os meus joelhos,
sinto eles acordados demais pra poder me deitar.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

meus dentes hoje resolveram guardar todas notícias no céu da minha boca.
aí eu respirei.
e me sinto levemente cabeçuda.
hoje é de novo mais um dia seco.
minha piscina ainda está suja
lavar o cabelo e matar o tênis?

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

sabe-se lá como isso aconteceu!

segundo os especialistas,
havia milhões de particulinhas, e bum!
explodiu - lentamente ? - e aqui estamos nós.

segundo os cristãos,
ela foi criada,
por Ele quem a criou,
e em 7 dias,
tchan! aqui nos criamos.

mas ultimamente,
depois do que vi, pensei e sonhei,
penso que tudo começou saudavelmente,
até que alguém,
num ato inesperado de frente para um castelo de cartas,
espirrou.

saúde!

saquinho-surpresa

Hoje,
a solidão com sua roupinha comportada,
feita de terninhos e sapatinhos,
bateu em minha porta e entrou pra tomar um chá.
Enquanto tomava junto com ela,
um bem gostoso de alguma planta verde,
a escutava comentando sobre todos os retratos que existiam na minha sala.
Surpreendentemente,
ela me fazia lembrar, ou acreditar, que eram de fato, apenas retratos.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Mariazinha caminhava alegremente pela rua quando viu que ao lado dela, as pessoas andavam bem mais rápido. A vida estava mais rápida, concluiu, e era por isso que estavam apressados.
Decidiu começar a andar de bicicleta.
Mariazinha pedalava com tanta felicidade, principalmente quando o vento batia na sua cara e sentia-se como um passarinho, só que ao seu lado, de novo, passavam carros, e eles eram tão mais rápidos.
Era a vida de novo!
Decidiu comprar um carro.
Mariazinha dirigia cantando, pois sentia que quem canta realmente seus males espanta. Mas eram tantas buzinas bravas e surdas e desnecessárias, que não entendia mais o sentido de andar rápido.
E continuou sem entender.
Até que um dia, abriu a porta do carro e se jogou, pra rolar até o primeiro pedaço de grama.
Ficou deitada por exatamente 3 horas lá, tentando escutar o coração da terra e assim entender o seu.
No começo não ouvia nada,
mas no final, entendeu.
Sentiu-se triste no começo, e angustiada que fosse assim.
E foi preciso descalçar os sapatos, soltar os cabelos, e chorar um pouco.
Maria subiu sobre os joelhos, e voltou a apenas andar.







quarta-feira, 18 de agosto de 2010

o último resquício do dia, que eu guardava para acordar amanhã, simplesmente desapareceu enquanto comia uma comida que devia ser muito boa, mas que não era mais.