quinta-feira, 25 de março de 2010

só um pio

eu fico assim,
nesse jeito nesse jeito nesse jeito
e falo demais
e penso demais
e depois desisto de ser o que sou.
e resolvo ser nada pra melhor me entender, e aos outros.
me anulo, e não sei o que achar.
a peneira menos fina que posso suportar.
ainda sou a mesma,
espero ter alma de criança,
e suportes de adulto.
adoro o oculto, pela segurança que traz.
ser o que quiser,
sem precisar pestanejar.
vou assim então,
que nem um passarinho,
viajar, e voltar ao ninho.

Se ele ainda estiver lá.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

chuvinha

já tentou escrever o som que ela faz?
quase impossível.
e não é ping.

qual o som do peteleco?
quer começar por aí?!
já é uma coisa.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

só em português.

Saudade de ser pequena, e o chão estar perto demais pra sentir medo.
Saudade de plantar feijão, e achar que poderia a partir desse plantar muitos.
Saudade de acordar e correr pro colo da minha mãe.
Saudade de ficar triste e correr pro colo da minha mãe.
Saudade do colo da minha mãe.
Saudade de empinar pipa e ter a sensação de estar voando.
Saudade de querer voar.
Saudade de pensar em histórias acreditando que aconteceriam comigo.
Querer ser bruxa.
Não querer ser normal.
Saudade de não ser normal.
Saudade de desenhar como quem não tem pressa.
Saudade de não ter pressa.
Saudade de não pensar no tempo, no estresse.
Saudade das poças de lama e bicicleta.
Saudade da natureza que me cercava.
Saudade das férias da escola.
Saudade de achar que eu poderia ser tudo que eu quisesse.
Saudade de acreditar nisso.
Saudade de achar que salvaria o mundo dos homens.
Saudade de não saber que eu mesma sou um.
Saudade de casa como só ela.
Saudades da Loli, Chiquinha, Beleza e Panqueca.
Saudade de não me importar com roupa.
Cabelo.
Moda.
E opiniões.
Saudade de comer e sentir o gosto.
Saudade do Natal de 5 anos atrás.
Saudade da minha avó.
Saudade da minha prima.
Saudade das caveiras, dos monstros.
Do baú de fantasias.
Saudade de saber tocar piano.
Saudade das cartas, e das pessoas que as escreviam.
Saudade dos momentos sem tv.
E principalmente sem internet.
Saudade de brigar por brincadeiras.
Saudades de idolatrar alguém.
Saudade da Saraiva.
Saudade das coisas perdidas.
Saudade daquele colar.
Daquele dia.
Saudade de cantar no carro as 7 da manhã.
Saudade de saquinhos surpresa.
Saudade de surpresas boas.
Saudade dos valores bons.
Saudade de saber o que é isso.
Saber o que sobrou.
E o que realmente sobrou?

Só saudade?...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

sandra bullock e a lição de moral

gosto dos anéis,
como se os meus dedos estivessem a passeio.
assim como aquela das botas vermelhas,
não fingindo ser quem não é.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

carinho

tão difícil de dar se não se sente,
mas transborda quando se tem.

tenho.
sinto.
transbordo.

palpável o ar, é quente.
aquece,
anoitece,
amanhece.

e tão logo,
eu sinto falta.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

she muges in her own way

Acho que tem vezes que devemos fechar a boca e ficar quietos, protegendo nossa integridade e o descontrole, nosso total direito de ficarmos calados em troca da liberdade de idéias. Talvez num meio não tão fechado, criar respostas vazias cheias de significado para assim então compreender o mistério e a contemplação que a ironia nos traz.
É como se as respostas fossem assim, feitas ao seu gosto, dirigidas sem propósito, existindo sem obrigação.
Para então acabar, como quem perdeu a atenção por apenas três segundos, e sem desrespeito algum, parecer um devaneio.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

vírgulas.

é como se tudo viesse à tona através de uma só palavra, que de falada, transpirada, ressentida transparecesse todas minhocas na cabeça, e assim no acúmulo de todas minhas mágoas comigo mesma, percebo que assim como nos outros, na visão de fora a fora, todos as neuras que nos são dadas assim que pusemos os olhos no céu, nos dizem depois de muitos anos, dentro e só dentro, para fora, vindo do centro, que por mais que tentemos séculos e segundos atrás, botar a culpa em alguém que não a gente, o inferno, e só ele: está dentro de nós.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

decadência

é saber racionalmente, que se está decadente.
e pior ainda,
saber como cultivar isso.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

fechou os olhos,
fechou a boca,
fechou a porta.

e por mais que isso a apavorasse, trancou-se na sua criada solidão.

domingo, 31 de janeiro de 2010

é isso, se lhe preenche.

Percebo frente aos meus olhos,
aquilo que passa rente a minha alma.

É por não saber o que levar,
consigo então o meu direito,
que fico nesse pesar inquieto,
que perdura horas sobre o meu peito.

Aprendo o inútil por ser mais fácil,
assim como o mundo um dia o fez,
de passo a passo,
de sapo em sapo,
sendo sempre a última da vez.

Mergulho fundo, faço minha sombra,
acho que é uma auto-boicotação...
de querer sempre que o horizonte,
despeje em mim a sua visão.

Sinto a gargante apertada,
como se a voz se intermediasse,
no lugar de onde ela veio,
preso ao vão onde por muito ficasse.

Mas se humana nasci, é assim mesmo que fico.
Sentindo um, achando que ouço o outro.
Trancando meu fim a minha calação,
à minha gastura, meu coração.

Para quase ninguém mais.
Só eu que ouço,
só eu que sinto,
só eu que sei.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

tô de férias

oi
faz tanto tempo,
mas não é por mal,
é pelas férias.

todos precisamos delas,
pra descansar a cabeça.
o corpo,
e cansar do tédio mais uma vez.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

we're slow dancing in a burning room

sábado, 5 de dezembro de 2009

5 minutos

Preciso de uma queda tão livre,
que me faça cair pela eternidade,
Até eu decidir que a imortalidade passional demais,
não é pra mim não.

Só que o que eu consigo,
é esse aperto no tempo e espaço.
É esse aperto no coração.
Só pra mais uma vez,
nessa nada sutil insistência,
me mostrar que como todos,
eu tenho um.

E daí ??
Eu lá pedi um ?!
Não quero.
Já disse que veio com defeito.

Querer certificar de que o mundo está bem,
é quase tão difícil quanto conformar-se que não é bem assim.

ai mundo.
ai sofia.
toma jeito, toma jeito. E faz aquilo que sabe!

Não inventa moda,
enquanto a tua ainda lhe serve!

Todas unhas um dia são roídas.
Independente se você é um rato, ou um homem.

Essas armas na mão.
Tal como uma roleta russa com todas as letras.

Tristeza, porque poderia ser assim.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

dor de cabeça

Queria então esse peso mais leve;
Que tomasse meu corpo,
e ali comigo ficasse.
Por um tempinho bem curto,
só pra saudade lembrar-me,
que o pesar de si mesmo era só pouco caso.

Mas no fim, que surpresa!
Recebi um convite, daqui ao receio.
Como quem pede demais, e não corre atrás.
Tive a notícia do acaso que me acolheu:
meu coração perdeu-se no escuro,
e minha alma, vazia encolheu.

sábado, 28 de novembro de 2009

vagarosa, me espreguiço

é que assim,
nesse jeitinho,
de ladinho me aconchego,
pra descansar os olhos vagos,
de quem espera pelo sono,
quero sonhar com o que me guarda,
e mais nada além disso,
pra acordar sobrando tempo,
pois vagarosa, me espreguiço.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

é bom,
como a primeira garfada.
sentaremos ao chão como quem espera que ele nos acolha.
sinto as portas se abrindo,
e a janela chamando.
pode ser que a luz fraca, não seja tão fraca assim.
pode ser que a risada, simbolize o fim.

e são só mais uns tijolos,
dos tantos que ainda virão.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Seu gosto,

é bem do jeito que eu gosto.
Bem do jeito, lamento.

ceu.

domingo, 15 de novembro de 2009

três terços.

Então, que tinha esse velhinho e essa velhinha.
Por mais que eu passasse todos os dias pelo mesmo caminho que eles,
nada que o costume me tentasse,
faria com que eu me acostumasse.
Eram dois velhinhos com um cômodo pra morar.
Quem quer que seja que vivesse por perto, podia até não querer enxergar,
mas ela não deveria ter de por tanta roupa no varal.
E ele não deveria ter que pregar aquelas tábuas.
Eram só dois velhinhos.
E ainda bem que tinham um ao outro.

Até que o velhinho morreu.
E a velhinha ficou sem irmão.
E foi pro asilo, onde não teria família, mas não teria um varal.
Se ela perdeu o motivo pra viver já não sei.
Se ela ganhou uma razão pra descansar, também não sei.

Mas acho que ela morreu um pouquinho quando perdeu uma parte que já era dela.
E eu morri, junto com ela.
Por mais que não fosse meu irmão,
por mais que não fosse parte de mim.
Acho que no final, quem fazia parte dela,
era eu.





quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Se você for viajar algum dia por esse mundão :

leve comida, e leve bastante.
leve coberta, e leve gente.
leve doces, mas não banalize.
leve conforto, e não muito dinheiro.
leve um livro, e espaço para mais.
leve crochê, e tempo pra aprender.
leve panelas, e deixe o medo pra trás.
leve celular, mas cancele sua conta.
leve música, e não fique sem ela.
leve música, mas não viva só dela.
leve roupas, mas não desfile.
leve pijamas, se for preciso.
leve pente, por favor.
leve grampos, elásticos e fita dupla-face.
leve dicionário, e use pouco.
leve tênis, mas confortáveis.
e havaianas, as originais.
leve voz, pra cantar e falar sozinho.
leve protetor solar.
leve óculos de sol, mas de verdade.
leve lápis, e milhões de papéis.
leve vida, mas traga de volta.
leve cultura, e deixe um pouco por lá.
leve relógio, mas não dependa dele.
leve sal, pra salmora pros pés.
leve água, compre água, beba água.
leve ar, pra respirar.