sexta-feira, 14 de novembro de 2014

o pico

A sensação gélida-quente que as vezes sentimos nas profundezas de nosso ser, pode ser representada através da montanha mais alta enfiando seu cume no meio de nosso peito, absorvendo e sendo absorvida mutuamente pelo calor vivo do coração.

tudo chove

O coração está amarrado
A língua desatada
O peito acelerado

Os olhos amuados
A vida então se acaba
E meus planos se desmancham

E o que antes era, prenúncio para a calmaria
Se transforma em tempestade.

E eu, inundada em nada.
Abandono a tarde.

Tudo chove.

rodamoinho

Abri os braços e girei.
Parecia dança mas só estava afastando todos de mim.
E com os meus pés pontudos de quem se preparava para voar
Furei o chão.



sábado, 26 de julho de 2014

maré baixa, maré alta

na maré alta
vai se embora
minha paz
me afogo no ansioso 
que o ocioso
me traz.

na maré baixa, 
vejo o estrago 
no meu pé

na praia jaz várias conchinhas,
cada uma delas perdidas,
representando uma fé.


terça-feira, 15 de julho de 2014

pupila poço

Dia sim, dia não
Pupila poço
Coração são

E quando adentra a madrugada
O corpo é refém
Da mente alagada

sexta-feira, 14 de março de 2014

nada mais nada
na lagoa dentro de mim

tudo se afoga,
pois há um redemoinho

sem fim

sábado, 1 de março de 2014

Medos até que não existam mais almas.
Almas que deem medo.

domingo, 15 de setembro de 2013

e então é assim:

O corpo se transforma em prisão
A cabeça aprisiona o coração

e

Expressão represada,
só transborda
se usada.

então

Assim que abrir uma brecha
saia dele antes que se feche.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

submarino

o peixe fora d'água está dentro de uma bolha no fundo do mar.


domingo, 7 de julho de 2013

Dona Baratinha

Dona Baratinha, se negava como vinha.
Não sabia ser uma delas, e muito estranha se sentia.
Mas que escolhas ela tinha?

Tinha nojo de si mesma,
medo de si mesma,
pena de si mesma. 

E todos comentavam:
"Que casca lisa você tem. 
Que asas mais esguias.
Que antenas longas e ombros finos!
Quanto mede suas perninhas?"

Ah dona Baratinha!
você bem sabe a sua sina:
O espelho que a ilumina, 
É dentro de si, sua ruína. 


segunda-feira, 29 de abril de 2013

tsunamim

o mar que a gente é
faz o mar que a gente tem
transbordar.

e no meio desse tanto de água,
a esperança parece seca, sequinha.
(não nos resta uma gotinha).

a onda sobe, o vento cessa, e o tempo pára.
sabemos:
essa é a vida - com uma breve pausa -
para o tapa na cara.

tchibum.





sábado, 27 de abril de 2013

tudo bem, é assim.

O único jeito de deixar a solidão é voltar para barriga da mãe.
Só assim um coração bate pelo outro.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

as primaveras

primeiro nuvem
depois era flor
e agora é terra sobre meus pés.

sábado, 22 de dezembro de 2012

sengavete

Enfim, percebeu:

a vida, não passa de gavetas.
o tempo, não passa de gavetas.
nós somos gavetas.
os anos se engavetam.
os amores se engavetam.
e as gavetas, se engavetam.

e isso não é necessariamente ruim.
É só uma metáfora.



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

5 pernas em cada mão.

O medo de aranha vem
- talvez não -
das teias que começam no centro do meu peito.
Quando me puxam para frente,
só estão me enganando, me trazendo mais para trás.
Mas não o atrás.
E sim dentro de mim.
São esses dedinhos que a gente tem...
Tão ágeis, e traiçoeiros.


domingo, 16 de dezembro de 2012

dim dom

esse é o som da campainha
que o meu coração faz tocar
quando ele me acha sozinha

domingo, 25 de novembro de 2012

o pig
é um plugue

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

La pomme de terre dans la gorge

Est-ce que tu es malade du coeur?
Oui
Toujours?
Oui, tous les jours, sans perdre un.
Pourquoi? Quand? Où?
Je ne sais pas. Ici, là-bas. Quand il veut. Seulement s'il veut.
Tu souffre?
Non, seulement le coeur.
Et ta tête?
Ah, bien.. Elle souffre.
Et ton corps?
Il sent.
Et tes yeux?
Ils regardent.
Et toi, c'est où? C'est quoi?
Je vous parle. Ça c'est moi.

sábado, 17 de novembro de 2012

?

Se o mundo ficasse apocalíptico,
se desequilibraria,
e rolaria?

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

(10/2008) lista comprida da vida nº2


Se por mais alguns minutos descobrisse o Universo que me pára e procede no passar desse ponteiro, estaria longe mas tão perto de um futuro assim incerto, e cegaria todos erros de um calendário inteiro.
Me admiro por tais páginas tão escritas sobre a vida, desta lista tão comprida, de seus itens não riscados, mas de fato o que vejo é o medo de errar, uma vez atrás da outra, romances mal elaborados.
Como se eternas enquanto durem, fossem as horas a passar, faria apenas uma pergunta ao conjunto de idéias, de modo que organizasse teus desejos e pesares, e talvez assim pudesse deixar levar por novos ares.