ou minhas idéias que estão envelhecendo?
terça-feira, 5 de outubro de 2010
domingo, 3 de outubro de 2010
hoje votaremos mais um vez
talvez a monotonia não fosse dela.
e talvez a gula também não.
acho que era um problema desse novo século,
parado, e faminto por voz.
todo mundo já se acomodou de novo.
sábado, 25 de setembro de 2010
pegou o pincel
e aí que nela despertou um bloquinho de concreto bem estranho entre as costelas,
que com certeza era um desafio promovido pelos dois partidos vividos dentro dela.
e simplesmente deixar aquilo ir embora,
seria uma falta imensa de consideração com os seus sentimentos,
tão afoitos, presentes, cientes, e ansiosos.
ainda bem que foi sensata,
e nomeou cada um de uma cor.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
o desespero do dia.
o nosso tempo certamente não é mais como o dos nossos pais.
não somos como os nossos pais.
estamos vivendo o futuro pelo presente, e o nosso presente não é mais que um constante passado.
aonde vamos parar com isso?
você não sente um desespero?
uma ansiedade inquietante e ao mesmo tempo tão ociosa, capaz de fazer nada?
uma vontade de gritar - pra si mesmo - e começar todas aquelas coisas de segunda-feira!
e as crianças?
o que serão das crianças?
e eu ainda sou uma criança!
então o que eu sou realmente?
uma folhinha de papel bem fininha e transparente?
e o pião, a pipa, e o pneu de balanço?
Elas não conhecem.
caracoles!
domingo, 19 de setembro de 2010
os cute-cutes
uma girafa bem pescoçuda e fofa me lembrou como era fechar os olhos e dormir.
assim como o pintinho gigante e vaca-dálmata.
Um zoológico na minha cabeça.
Mas de fato, animal.
um quadro-negro
Ali havia uma casa com as janelas de vidro abaixadas.
Só entrava luz e não se trocava o ar.
Era a tevê dela.
Era o que era ela.
(Penteava seu cabelo cem vezes antes de dormir.)
Mas de repente, chegou um passarinho, que bicava sua janela.
Pedia pra entrar, pois o vento estava muito forte.
E lá ela já tinha sentido o ar?
A passarinha fez seu ninho, muito bem feito como faziam por ali,
botou 3 ovos, cada um de um jeitinho.
Assim que quebrasse o primeiro por mera coincidência e fatalidade,
a menina saberia o que era vendaval. (Seria horrível, piou).
Assustada, ficou 5 meses de cama.
Disse: Machuquei, me estrepei, e sequer me encostei!
Quando caiu o segundo, por 'descuido de minha asa',
soube então o que era chuva.
Balançada, achava os olhos indecisos.
Um pouco dramáticos. É verdade.
E assim que me trouxe o terceiro,
num prato limpo e arrumado,
quase um espatife organizado,
soube então o que era brisa.
Seus cabelos já se arrumavam sozinhos.
Sua janela era aberta de manhã.
E a casa permaneceu desarrumada.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Praquepá
Há 600 dias, eu decidi que deixaria o capim crescer.
Olhava a minha estrada, e a cada semana, sentia meu pé pinicar.
Gostava de ver.
E nem sabia o porquê!
Esperando pelo o que eu não sabia também,
senti um não-desespero bem acomodado.
Até que, sentada no meu banquinho, no meu círculo de mato,
senti uma tremidinha na terra.
Não era do coração, era da terra!
E aí dei espaço para aquela árvore imensa crescer sobre os meus ombros,
e me levar para o céu.
Quando subi me dei conta, de quantas estradas o capim tinha obrigado formar.
E agora, era só escolher.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
ai, o sustento.
ontem,
a chuva veio e lamentou o dia.
hoje,
o sol nasceu e iluminou a tarde.
e à noite,
como toda noite sempre acontece,
veio ontem,
e vem hoje,
pra me pôr pra dormir.
porém,
como se a atmosfera empurrasse todas notícias para os meus joelhos,
sinto eles acordados demais pra poder me deitar.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
sabe-se lá como isso aconteceu!
segundo os especialistas,
havia milhões de particulinhas, e bum!
explodiu - lentamente ? - e aqui estamos nós.
segundo os cristãos,
ela foi criada,
por Ele quem a criou,
e em 7 dias,
tchan! aqui nos criamos.
mas ultimamente,
depois do que vi, pensei e sonhei,
penso que tudo começou saudavelmente,
até que alguém,
num ato inesperado de frente para um castelo de cartas,
espirrou.
saúde!
havia milhões de particulinhas, e bum!
explodiu - lentamente ? - e aqui estamos nós.
segundo os cristãos,
ela foi criada,
por Ele quem a criou,
e em 7 dias,
tchan! aqui nos criamos.
mas ultimamente,
depois do que vi, pensei e sonhei,
penso que tudo começou saudavelmente,
até que alguém,
num ato inesperado de frente para um castelo de cartas,
espirrou.
saúde!
saquinho-surpresa
Hoje,
a solidão com sua roupinha comportada,
feita de terninhos e sapatinhos,
bateu em minha porta e entrou pra tomar um chá.
Enquanto tomava junto com ela,
um bem gostoso de alguma planta verde,
a escutava comentando sobre todos os retratos que existiam na minha sala.
Surpreendentemente,
ela me fazia lembrar, ou acreditar, que eram de fato, apenas retratos.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Mariazinha caminhava alegremente pela rua quando viu que ao lado dela, as pessoas andavam bem mais rápido. A vida estava mais rápida, concluiu, e era por isso que estavam apressados.
Decidiu começar a andar de bicicleta.
Mariazinha pedalava com tanta felicidade, principalmente quando o vento batia na sua cara e sentia-se como um passarinho, só que ao seu lado, de novo, passavam carros, e eles eram tão mais rápidos.
Era a vida de novo!
Decidiu comprar um carro.
Mariazinha dirigia cantando, pois sentia que quem canta realmente seus males espanta. Mas eram tantas buzinas bravas e surdas e desnecessárias, que não entendia mais o sentido de andar rápido.
E continuou sem entender.
Até que um dia, abriu a porta do carro e se jogou, pra rolar até o primeiro pedaço de grama.
Ficou deitada por exatamente 3 horas lá, tentando escutar o coração da terra e assim entender o seu.
No começo não ouvia nada,
mas no final, entendeu.
Sentiu-se triste no começo, e angustiada que fosse assim.
E foi preciso descalçar os sapatos, soltar os cabelos, e chorar um pouco.
Maria subiu sobre os joelhos, e voltou a apenas andar.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
e continuando sobre os pés
quanto mais juntos os joelhos ficam da cabeça.
menos sozinhos eles se sentem.
como uma família no escuro,
mas sem velas nem sombras.
Somente os dedos.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
sobre seus pés no calor
o bom mesmo, nesse calor de inverno, é deitar bem esticada, e colocar os dois pés pra cima.
só assim, vendo seus dedos todos de baixo, olhando com aquela gracinha misteriosa pra você,
é que você se dá conta do quanto eles são capazes.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
As meninas
As duas velhinhas cheias de excentricidades que sempre me visitavam quando a casa estava cheia, olharam bem a fundo de novo dentro das minhas pupilas, e fitaram por mais tempo que o comum.
Depois de cochicharem uma à outra, decidiram que melhor mesmo, seria separar os meus olhos do mar de pessoas. Se cada uma estava em seu próprio barquinho, assim que eu não visse mais nada, acharia que também tinha um.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
baú
O que eu sinto assim, é um sopro.
Um vento muito fino, e leve, que ultrapassa o cabelo por debaixo da orelha;
Um suspiro seco, que atravessa a minha coluna;
E uma voz baixinha, sempre presente no meu ombro.
Ela recita poesias de desespero,
canções de ninar,
e perguntas, cada vez mais retóricas.
Me acolhe quando não quero,
me abraça respirando por mim,
me afoga no piso mais próximo.
Por mais que eu tente agradá-la,
ambas sabemos que nenhum carinho poderá ajudar.
Todas explicações sempre voltarão a mim mesma.
O seu sal, serão meus olhos,
e aquela brisa,
sempre passará por baixo da porta trancada.
domingo, 1 de agosto de 2010
era bonito
Tem vezes que a gente caminha tão pra trás,
que nem sabe direito como era longe esses dois lugares.
Só sabe que o tempo voou,
que a vida correu,
e que as árvores morreram
(porque ninguém mais conta primaveras).
Você era uma criança que corria,
que sentia,
que vivia,
e que sabia.
Sabia muito mais do que sabemos hoje em dia.
E ao sentir, sabia o quanto era simples.
Por que exatamente a gente cresce,
se junto com a gente só cresce coisa ruim ?
Eu queria era ficar por ali,
salva pelos anos,
pela falta de tamanho,
pelo excesso de esperança,
e de mim mesma aqui,
assim,
agora.
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