terça-feira, 3 de agosto de 2010

baú

O que eu sinto assim, é um sopro.
Um vento muito fino, e leve, que ultrapassa o cabelo por debaixo da orelha;
Um suspiro seco, que atravessa a minha coluna;
E uma voz baixinha, sempre presente no meu ombro.
Ela recita poesias de desespero,
canções de ninar,
e perguntas, cada vez mais retóricas.
Me acolhe quando não quero,
me abraça respirando por mim,
me afoga no piso mais próximo.
Por mais que eu tente agradá-la,
ambas sabemos que nenhum carinho poderá ajudar.
Todas explicações sempre voltarão a mim mesma.
O seu sal, serão meus olhos,
e aquela brisa,
sempre passará por baixo da porta trancada.



domingo, 1 de agosto de 2010

era bonito

Tem vezes que a gente caminha tão pra trás,
que nem sabe direito como era longe esses dois lugares.
Só sabe que o tempo voou,
que a vida correu,
e que as árvores morreram
(porque ninguém mais conta primaveras).

Você era uma criança que corria,
que sentia,
que vivia,
e que sabia.
Sabia muito mais do que sabemos hoje em dia.
E ao sentir, sabia o quanto era simples.
Por que exatamente a gente cresce,
se junto com a gente só cresce coisa ruim ?

Eu queria era ficar por ali,
salva pelos anos,
pela falta de tamanho,
pelo excesso de esperança,
e de mim mesma aqui,
assim,
agora.


quinta-feira, 29 de julho de 2010

az

Agora, buscando com desdém enquanto fazia garoar hermeticamente, ignorava jovens luvas, mas não os pés! Quando rapaz, sabia tirar uma, várias, xises, zilhões!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O céu tão branco,
e ao longe, branco,
e na cabeça, branca,
branco, branco, branca.

mas então passa um passarinho,
voando,
tão rápido!,
que corta aquela espessa camada de fios brancos e aí se faz novamente a lucidez.

e ele nem acreditou quando voltou a enxergar de novo!
um alívio, que nem lhe cabia.

mesmo que o céu estivesse nublado.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

3 pedidos

Ela vem vindo ali,
com uma fita branquinha do bonfim,
trançada como quem enfim,
não tem fim nem começo pra levar,
os pedidos que fez já faz um mês,
completando os três anos pra pensar,
no que viria ser então,
uma prece pro próprio coração.

Disse que são,
pra lhe falar,
do seu destino.
Mas quem vai empurrar,
seu barco no mar,
só com o assovio.

(Quem me levará?)

É uma onda grande.

Ela vem afastada,
passa por cima,
joga-se sem nem pedir licença,
e causa espanto,
sufoco,
e deixa os olhos ardendo.
É água com sal, que cura e renova.

E dentro da cumbuca,
tinha esse conjunto de lágrimas,
que só quem era muito esperto não punha a mão.
Uma vez lá,
era preciso largar tudo pra não se molhar.





quinta-feira, 15 de julho de 2010

tem horas (que duram um segundo), que ninguém sabe o que aconteceu, mas aconteceu.
tem alguns minutos (que duram horas), que todo mundo tenta achar explicação, e acha.
Mais de três.

e enquanto os segundos passam lentos e dolorosos,
e a nuca sente o chão,
é realmente deliciosa a idéia de dormir,
e acordar.

Ah, stephanie meyer.

A primeira foi sorte,
a segunda esperança,
e a terceira... Tão terceira.

né.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

sai!

decidi que já tendo que me preocupar com devastações, queimadas, aquecimentos, doenças, sequestros, goleiros, cidades crescendo demais, crianças crescendo demais, comidas crescendo demais, egoísmos, invejas, desprezos, mentiras, e mercados de ações, e mercados de comida, e mercados de trabalho, ruas lotadas, apertadas, cheias de fumaça. Fumaça no pulmão, no ar, no rio, na cabeça, no futuro, sacolinhas de plástico, garrafas pet, lixo eletrônico, lixo espacial, lixo sonoro, lixo visual, bichos tratados como lixo e pessoas tratadas como bichos, e aquele que não bebe, e aquele que não come. O que não vê porque não quer ver, o que não escuta porque não quer escutar, e o que fala o que não quer ouvir. Crianças obesas, estressadas, abandonadas, que gritam demais, que brincam de menos, e programas ruins, e músicas ruins, e elas especialmente cada vez mais ruins, então falta esperança, novidades, criatividade, e personalidade, e ai... Como cansa.

então decidi que não vou mais me preocupar com ets.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

are you really here

pãpan ra pã
pãpann pã pâ
pan pan
pâ pâ
pã pã
(...)

na nãã-a- áá - á ãn
na ná nã
nanãn
ná nãn
não não

take this sinking boat.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A noiva.

correu por sua vida inteira,
e só parou, quando na frente da loja de ternos,
sentiu pela primeira vez a bochecha corar.

e a milhares de quilômetros de distância,
alguém notava a falta de um manequim.

domingo, 27 de junho de 2010

onde vivem os monstros

tem certas coisas que não deveriam chegar no ouvido das crianças.
certas coisas que não deveriam chegar no ouvido de ninguém!
e aí essas coisas nunca existiriam
então nunca precisaria disso tudo pra ninguém ouvir
e tudo certo seria então.

porque eu acho realmente muito injusto um monstro chorar.



sábado, 26 de junho de 2010

o amor

Tem um pedacinho do coração que a gente mexe e a terra dá uma tremidinha, fazendo com que todos a sua volta sintam também.
E assim, todo mundo sente vontade de dar uma tremidinha.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

oh madrugada infiel

e mesmo sabendo que deveria fazer o que a razão geral lhe confiava mais argumentos,
decidiu que ia dormir.
tendo lido kant, ou não.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

as que salvam

é só entender que o mundo é tão maior,
e as pequenas porcentagens podem fazer algum sentido.
esperançosamente, quero dizer.


domingo, 20 de junho de 2010

e depois que ele guardou os seus olhos na caixa de tintas

tendo só o coração,
resolveu que faltando os meios de expressão suficientes para mostrar que ainda o tinha,
enterrou-o junto com a árvore mais alta do mundo dele,
e assim que todo o seu sangue se misturasse com a vontade de ir cada vez mais alto,
iria!

pra mostrar que é assim, você simplesmente vai.
e quando chegasse lá no alto,
aproveitaria pra respirar fundo,
e expirar.

essa é realmente a melhor sensação do mundo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

o que ficou cego

Tinha esse menino.
E tinham vários outros meninos pelo mundo inteiro, mas naquele momento,
era só ele.
Um dia ele ouviu uma briga dos pais,
e resolveu tirar as orelhas.
Guardou dentro do piano pra ficarem bem confortáveis.
Mas quando saiu na rua no outro dia,
sentiu um cheiro insuportável.
Esgoto, bicho morto, lixo. Não sabia o que era!
Coitado do homem dormindo na rua.
Eca, tirou o nariz.
Deixou ele entre os livros antigos, porque o passado parecia tão melhor.
Dois dias depois, quando se acostumou com o silêncio,
percebeu que sem o nariz não sentia o gosto.
E as comidas da casa dele nem eram da casa dele.
E as palavras que só antes ele escutava, nem agora ele as tinha mais.
Tirou a boca e guardou num pote cheio de flores.
Das bem macias.
Assim que guardou, foi olhar a paisagem (era só isso que podia fazer),
mas o homem ainda estava lá.
E ninguém tentava acordá-lo?
Fechou os olhos. Abriu. Piscou.
Olhou pro céu.
E foi ver tv.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

eu não quero conversar sobre isso

porque as pessoas insistem em ter contato quando certamente o tempo mostra que ele mesmo vai resolver isso?
deixa eu ser individualista
prepotente
egoísta
e centrada no meu próprio umbigo.
não é essa, a frescura afinal?







mentira.
eu acho a conversa bem essencial para a humanidade toda.
só não agora, ok.

domingo, 13 de junho de 2010

o blog me enganou. quero o meu antigo. detesto layouts.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

eu acho que todo mundo precisa de férias na verdade.

pra sentir o tempo passando a toa.
e deixar passar.
eu não quero descontar em ninguém o que na verdade deveria ser descontado nos dias que voam agora.
e eu não quero descontar em ninguém algo que é obviamente problema do meu relógio.
e se por acaso veio assim,
as palavras saindo da minha boca sem nem ao menos sorrir e se apresentar,
peço que embaralhem suas letras e se expliquem,
rapidamente.
detesto delongas.
detesto o fato de ser assim enquanto século 21, tão 21.
não tenho ritmo, nem animação e nem critério pra classificá-lo.
meus bolsos estão completamente vazios:
meus lenços eu já usei,
e meus documentos já não me representam mais.

eu estou assim, vazia.
cheia de ar.