domingo, 20 de junho de 2010

e depois que ele guardou os seus olhos na caixa de tintas

tendo só o coração,
resolveu que faltando os meios de expressão suficientes para mostrar que ainda o tinha,
enterrou-o junto com a árvore mais alta do mundo dele,
e assim que todo o seu sangue se misturasse com a vontade de ir cada vez mais alto,
iria!

pra mostrar que é assim, você simplesmente vai.
e quando chegasse lá no alto,
aproveitaria pra respirar fundo,
e expirar.

essa é realmente a melhor sensação do mundo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

o que ficou cego

Tinha esse menino.
E tinham vários outros meninos pelo mundo inteiro, mas naquele momento,
era só ele.
Um dia ele ouviu uma briga dos pais,
e resolveu tirar as orelhas.
Guardou dentro do piano pra ficarem bem confortáveis.
Mas quando saiu na rua no outro dia,
sentiu um cheiro insuportável.
Esgoto, bicho morto, lixo. Não sabia o que era!
Coitado do homem dormindo na rua.
Eca, tirou o nariz.
Deixou ele entre os livros antigos, porque o passado parecia tão melhor.
Dois dias depois, quando se acostumou com o silêncio,
percebeu que sem o nariz não sentia o gosto.
E as comidas da casa dele nem eram da casa dele.
E as palavras que só antes ele escutava, nem agora ele as tinha mais.
Tirou a boca e guardou num pote cheio de flores.
Das bem macias.
Assim que guardou, foi olhar a paisagem (era só isso que podia fazer),
mas o homem ainda estava lá.
E ninguém tentava acordá-lo?
Fechou os olhos. Abriu. Piscou.
Olhou pro céu.
E foi ver tv.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

eu não quero conversar sobre isso

porque as pessoas insistem em ter contato quando certamente o tempo mostra que ele mesmo vai resolver isso?
deixa eu ser individualista
prepotente
egoísta
e centrada no meu próprio umbigo.
não é essa, a frescura afinal?







mentira.
eu acho a conversa bem essencial para a humanidade toda.
só não agora, ok.

domingo, 13 de junho de 2010

o blog me enganou. quero o meu antigo. detesto layouts.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

eu acho que todo mundo precisa de férias na verdade.

pra sentir o tempo passando a toa.
e deixar passar.
eu não quero descontar em ninguém o que na verdade deveria ser descontado nos dias que voam agora.
e eu não quero descontar em ninguém algo que é obviamente problema do meu relógio.
e se por acaso veio assim,
as palavras saindo da minha boca sem nem ao menos sorrir e se apresentar,
peço que embaralhem suas letras e se expliquem,
rapidamente.
detesto delongas.
detesto o fato de ser assim enquanto século 21, tão 21.
não tenho ritmo, nem animação e nem critério pra classificá-lo.
meus bolsos estão completamente vazios:
meus lenços eu já usei,
e meus documentos já não me representam mais.

eu estou assim, vazia.
cheia de ar.

domingo, 23 de maio de 2010

a morte poética

ele comprou sapatos para a vida inteira.
e agora,
estava no seu último par.

tropeço

Tentei enfrentar.
Mas, mesmo assim, subindo na escada mais alta,
no final das contas, decidi descer.
E o cabelo enroscou na escova,
e o cadarço desamarrou.
E todas as folhas se espalharam pela grama, porque aquele vento só serviu pra bagunçá-las.
E agora? O que realmente resta se não desabar por dentro?
Acompanhar o som, porque uma hora ele acaba?
E saber que ele não é seu, assim como o que resta no seu copo?

Não sei.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

e agora?

minha vida numa metáfora de montanha-russa.
e parque de diversões me enjoa, sabe.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Duas velhinhas bem excêntricas - do tipo que eu seria um dia - olharam pra dentro das minhas pupilas e disseram que eram diferentes de todas que já tinham visto. Não compararam com jaboticabinhas, muito menos com um feijão.
Só predizeram minha mania de torná-las pequenas demais para não entrar luz.

Eu gosto mais do passado

Ou isso,
ou a minha felicidade está equivocada.

domingo, 16 de maio de 2010

ó paradigma

é assim:
você pega um pouquinho de experiência,
depois um pouquinho de coragem,
e mais um tantão de visão de fora.
mexe.

aí, no outro pote, você põe vários pedaços de tempo,
mais um tanto de tempo desperdiçado.
compara e tira a diferença.

depois finalmente,
você mistura os dois,
e então joga um tiquinho de amor e futuro.
obs: se o amor ao futuro estiver muito pouco, joga mais um tanto de visão de fora,
ou quem sabe experiência.

pronto.
você está livre do que você mesmo criou.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

postar um comentário:

é.
adoro lapsos.
mas tenho medo de quando não vêm de mim
uma coisa meio humana né?
meio praga...

Se eu levanto ou não a minha sobrancelha, decido após esse título gigante

Sabendo assim por qual me veio de uma maneira um tanto quanto constrangedora ( não para mim) soube que por mais que as teias peguem cada poeira por quem lhes passa, eu sou aquela que o sol leva para bem longe de tais lençóis.
Não sabendo exatamente qual o meu direito de aqui estar, sinto-me assim bem dividida por não entender porque o tem de ser desse jeito.
Lutando e usando a força que tenho - não física - tento abrir um caminho que não o da escrita. Não adianta, e então venho.
E me desmancho.

Me desmancho porque a tangente me joga longe.
Porque a linha tênue que me separa, não é tão tênue assim.
E talvez, porque por mais que eu tente ficar inteira, já entendi que não consigo.
E em pedaços talvez, eu me reconstrua mais de mil vezes, e assim em várias caras posso decidir quais olhares lançar;
Qual sobrancelha levantar;
Qual sorriso esboçar.
Tal qual, o passado.



sexta-feira, 7 de maio de 2010

O subconsciente

O subconsciente é uma coisa engraçada.
Ele é tão mais consciente do que pensamos,
e está tão mais presente do que queremos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

e se eu tenho um cabelo colorido é só eu que vejo

Assim como ele - por quem tive grande devoção - me senti com os tantos palmos acima de mim.
Não sei se por ele ser ele, ou por ele ser eu.
Sei que senti um aperto na cabeça,
e tudo - tudo sim, mas não sei o que - queria sair dali, mas simplesmente não podia.
Então pus o chapéu, pra tampar.
Se eu tirar ele agora, hão de achar que é dita e feita a analogia. Porque afinal de contas, só assim é possível.
E se eu não tirar, e resolver com boa vontade - que me é tirada de pouquinho em pouquinho - a explicar o que há dentro dele, ninguém vai acreditar, porque ninguém mais usa chapéu.
(porque ninguém mais usa chapéu?)
É tão difícil por na cabeça (que o que há dentro da cabeça é você quem faz) ?
Não é um peso, nem uma massa, nem folhas de papel com dificuldade de falsificação.
É você.

Mas tudo bem.
É por isso que as pessoas apodrecem e morrem por dentro.
Porque acharam o que elas precisam só tem lá fora,
mas nem sequer olharam pra ver.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

hoje eu sei, que de todas as perdas que eu já tive,
a maior foi a panqueca.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

descalço

você já sentiu sua alma se elevar?
dura menos de um segundo,
e por um momento você sente o sono consciente.
Até que ela te entrega de volta,
com todo o seu coração aberto,
e pronto para o relógio mastigar.

Sem pé, não sente o chão,
e não sabe como andar;
como quem não sabe sentir,
por não saber separar.

Ando descalça,
por ter desaprendido a amarrar o tênis.


sexta-feira, 16 de abril de 2010

preciso de mais vida pra entender tudo isso.

terça-feira, 13 de abril de 2010

nada não

És solidão,
és multidão,
é a existência da nossa paixão;
Pela vida, pela idade, pelo medo de perder o medo.
Medo você só perde com os anos.
Que passam e destroem o instante decisivo (ou não).
Que passou agora.
E daqui a cinco minutos, sentando à mesa, e orando à si mesmo, passará de novo.
Mas ninguém ouve.
Ninguém sabe porque, porque ninguém sabe.
Ninguém sabe ouvir.
E é tanto...

Oh solidão,
és multidão,
é a existência da nossa própria paixão.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

morte questão 2

decidi.
não me cremem,
não me enterrem,
não me embalsamem ou parafinem qualquer parte do meu corpo.

eu só quero sempre flores.