segunda-feira, 10 de maio de 2010

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é.
adoro lapsos.
mas tenho medo de quando não vêm de mim
uma coisa meio humana né?
meio praga...

Se eu levanto ou não a minha sobrancelha, decido após esse título gigante

Sabendo assim por qual me veio de uma maneira um tanto quanto constrangedora ( não para mim) soube que por mais que as teias peguem cada poeira por quem lhes passa, eu sou aquela que o sol leva para bem longe de tais lençóis.
Não sabendo exatamente qual o meu direito de aqui estar, sinto-me assim bem dividida por não entender porque o tem de ser desse jeito.
Lutando e usando a força que tenho - não física - tento abrir um caminho que não o da escrita. Não adianta, e então venho.
E me desmancho.

Me desmancho porque a tangente me joga longe.
Porque a linha tênue que me separa, não é tão tênue assim.
E talvez, porque por mais que eu tente ficar inteira, já entendi que não consigo.
E em pedaços talvez, eu me reconstrua mais de mil vezes, e assim em várias caras posso decidir quais olhares lançar;
Qual sobrancelha levantar;
Qual sorriso esboçar.
Tal qual, o passado.



sexta-feira, 7 de maio de 2010

O subconsciente

O subconsciente é uma coisa engraçada.
Ele é tão mais consciente do que pensamos,
e está tão mais presente do que queremos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

e se eu tenho um cabelo colorido é só eu que vejo

Assim como ele - por quem tive grande devoção - me senti com os tantos palmos acima de mim.
Não sei se por ele ser ele, ou por ele ser eu.
Sei que senti um aperto na cabeça,
e tudo - tudo sim, mas não sei o que - queria sair dali, mas simplesmente não podia.
Então pus o chapéu, pra tampar.
Se eu tirar ele agora, hão de achar que é dita e feita a analogia. Porque afinal de contas, só assim é possível.
E se eu não tirar, e resolver com boa vontade - que me é tirada de pouquinho em pouquinho - a explicar o que há dentro dele, ninguém vai acreditar, porque ninguém mais usa chapéu.
(porque ninguém mais usa chapéu?)
É tão difícil por na cabeça (que o que há dentro da cabeça é você quem faz) ?
Não é um peso, nem uma massa, nem folhas de papel com dificuldade de falsificação.
É você.

Mas tudo bem.
É por isso que as pessoas apodrecem e morrem por dentro.
Porque acharam o que elas precisam só tem lá fora,
mas nem sequer olharam pra ver.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

hoje eu sei, que de todas as perdas que eu já tive,
a maior foi a panqueca.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

descalço

você já sentiu sua alma se elevar?
dura menos de um segundo,
e por um momento você sente o sono consciente.
Até que ela te entrega de volta,
com todo o seu coração aberto,
e pronto para o relógio mastigar.

Sem pé, não sente o chão,
e não sabe como andar;
como quem não sabe sentir,
por não saber separar.

Ando descalça,
por ter desaprendido a amarrar o tênis.


sexta-feira, 16 de abril de 2010

preciso de mais vida pra entender tudo isso.

terça-feira, 13 de abril de 2010

nada não

És solidão,
és multidão,
é a existência da nossa paixão;
Pela vida, pela idade, pelo medo de perder o medo.
Medo você só perde com os anos.
Que passam e destroem o instante decisivo (ou não).
Que passou agora.
E daqui a cinco minutos, sentando à mesa, e orando à si mesmo, passará de novo.
Mas ninguém ouve.
Ninguém sabe porque, porque ninguém sabe.
Ninguém sabe ouvir.
E é tanto...

Oh solidão,
és multidão,
é a existência da nossa própria paixão.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

morte questão 2

decidi.
não me cremem,
não me enterrem,
não me embalsamem ou parafinem qualquer parte do meu corpo.

eu só quero sempre flores.

quinta-feira, 25 de março de 2010

só um pio

eu fico assim,
nesse jeito nesse jeito nesse jeito
e falo demais
e penso demais
e depois desisto de ser o que sou.
e resolvo ser nada pra melhor me entender, e aos outros.
me anulo, e não sei o que achar.
a peneira menos fina que posso suportar.
ainda sou a mesma,
espero ter alma de criança,
e suportes de adulto.
adoro o oculto, pela segurança que traz.
ser o que quiser,
sem precisar pestanejar.
vou assim então,
que nem um passarinho,
viajar, e voltar ao ninho.

Se ele ainda estiver lá.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

chuvinha

já tentou escrever o som que ela faz?
quase impossível.
e não é ping.

qual o som do peteleco?
quer começar por aí?!
já é uma coisa.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

só em português.

Saudade de ser pequena, e o chão estar perto demais pra sentir medo.
Saudade de plantar feijão, e achar que poderia a partir desse plantar muitos.
Saudade de acordar e correr pro colo da minha mãe.
Saudade de ficar triste e correr pro colo da minha mãe.
Saudade do colo da minha mãe.
Saudade de empinar pipa e ter a sensação de estar voando.
Saudade de querer voar.
Saudade de pensar em histórias acreditando que aconteceriam comigo.
Querer ser bruxa.
Não querer ser normal.
Saudade de não ser normal.
Saudade de desenhar como quem não tem pressa.
Saudade de não ter pressa.
Saudade de não pensar no tempo, no estresse.
Saudade das poças de lama e bicicleta.
Saudade da natureza que me cercava.
Saudade das férias da escola.
Saudade de achar que eu poderia ser tudo que eu quisesse.
Saudade de acreditar nisso.
Saudade de achar que salvaria o mundo dos homens.
Saudade de não saber que eu mesma sou um.
Saudade de casa como só ela.
Saudades da Loli, Chiquinha, Beleza e Panqueca.
Saudade de não me importar com roupa.
Cabelo.
Moda.
E opiniões.
Saudade de comer e sentir o gosto.
Saudade do Natal de 5 anos atrás.
Saudade da minha avó.
Saudade da minha prima.
Saudade das caveiras, dos monstros.
Do baú de fantasias.
Saudade de saber tocar piano.
Saudade das cartas, e das pessoas que as escreviam.
Saudade dos momentos sem tv.
E principalmente sem internet.
Saudade de brigar por brincadeiras.
Saudades de idolatrar alguém.
Saudade da Saraiva.
Saudade das coisas perdidas.
Saudade daquele colar.
Daquele dia.
Saudade de cantar no carro as 7 da manhã.
Saudade de saquinhos surpresa.
Saudade de surpresas boas.
Saudade dos valores bons.
Saudade de saber o que é isso.
Saber o que sobrou.
E o que realmente sobrou?

Só saudade?...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

sandra bullock e a lição de moral

gosto dos anéis,
como se os meus dedos estivessem a passeio.
assim como aquela das botas vermelhas,
não fingindo ser quem não é.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

carinho

tão difícil de dar se não se sente,
mas transborda quando se tem.

tenho.
sinto.
transbordo.

palpável o ar, é quente.
aquece,
anoitece,
amanhece.

e tão logo,
eu sinto falta.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

she muges in her own way

Acho que tem vezes que devemos fechar a boca e ficar quietos, protegendo nossa integridade e o descontrole, nosso total direito de ficarmos calados em troca da liberdade de idéias. Talvez num meio não tão fechado, criar respostas vazias cheias de significado para assim então compreender o mistério e a contemplação que a ironia nos traz.
É como se as respostas fossem assim, feitas ao seu gosto, dirigidas sem propósito, existindo sem obrigação.
Para então acabar, como quem perdeu a atenção por apenas três segundos, e sem desrespeito algum, parecer um devaneio.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

vírgulas.

é como se tudo viesse à tona através de uma só palavra, que de falada, transpirada, ressentida transparecesse todas minhocas na cabeça, e assim no acúmulo de todas minhas mágoas comigo mesma, percebo que assim como nos outros, na visão de fora a fora, todos as neuras que nos são dadas assim que pusemos os olhos no céu, nos dizem depois de muitos anos, dentro e só dentro, para fora, vindo do centro, que por mais que tentemos séculos e segundos atrás, botar a culpa em alguém que não a gente, o inferno, e só ele: está dentro de nós.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

decadência

é saber racionalmente, que se está decadente.
e pior ainda,
saber como cultivar isso.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

fechou os olhos,
fechou a boca,
fechou a porta.

e por mais que isso a apavorasse, trancou-se na sua criada solidão.

domingo, 31 de janeiro de 2010

é isso, se lhe preenche.

Percebo frente aos meus olhos,
aquilo que passa rente a minha alma.

É por não saber o que levar,
consigo então o meu direito,
que fico nesse pesar inquieto,
que perdura horas sobre o meu peito.

Aprendo o inútil por ser mais fácil,
assim como o mundo um dia o fez,
de passo a passo,
de sapo em sapo,
sendo sempre a última da vez.

Mergulho fundo, faço minha sombra,
acho que é uma auto-boicotação...
de querer sempre que o horizonte,
despeje em mim a sua visão.

Sinto a gargante apertada,
como se a voz se intermediasse,
no lugar de onde ela veio,
preso ao vão onde por muito ficasse.

Mas se humana nasci, é assim mesmo que fico.
Sentindo um, achando que ouço o outro.
Trancando meu fim a minha calação,
à minha gastura, meu coração.

Para quase ninguém mais.
Só eu que ouço,
só eu que sinto,
só eu que sei.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

tô de férias

oi
faz tanto tempo,
mas não é por mal,
é pelas férias.

todos precisamos delas,
pra descansar a cabeça.
o corpo,
e cansar do tédio mais uma vez.