domingo, 25 de outubro de 2009

cigana hoy

Eis que sabem que tanto faz,
que tanto fez,
tanto fará.
Então,
olha no relógio e se imagina não-ela,
outra pessoa,
mais importante.
Veja,
que a vida é tanta,
que o dia é tanto,
e o tédio é tanto.
Veja,
que a vida é curta,
se o dia é curto,
e o tédio inútil.
Somente abriu o livro.
por saber que as páginas eram um apoio.
Daquele que não te deixa.
Ou deixará.
Observa a sua janela.
Até as 5, esquece. O sol precisa se pôr.

Aceitou, como uma mentirosa.

sábado, 24 de outubro de 2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

cuitelinho

É leve,
às vezes pesa,
mas a pluma tende a voar.
Sinto um aperto, que torce os dedos,
as fibras,
os olhos,
o coração.
É tanta besteira,
é tanto vazio,
que a explicação já não cabe mais,
por ser assim tão incerto o caminho,
e deixar tão perdido em lugar nenhum.
Vejo uma fresta,
mais ou menos futura,
abrir-se de leve, numa fina tortura,
chamando a mim, que cega apenas de um lado,
como quem me mostra a solução por partes.
Aí penso de novo,
para o meu bem e só meu,
que a linha tênue,
eu exagero demais.
Preciso parar e escutar minhas letras,
que o teclado sugere respirar,
para que, esperando assim,
eu consiga ouvir a sugestão da minha paz.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

tempo espaço

tec tec tec tec tec tec tec tec tec tic tec tic tec tec tec tic f5 tec tic tec tic tic tec tic tac tec tic tac tic tac tec tic tec tic tac f5 tic tac tic tac tic tac tic



sou eu digitando no computador na esperança de que o tempo passe mais rápido.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

a elegância do ouriço

Me deparei com uma pergunta, que nunca tinha feito - creio eu, ao menos não com a mesma intensidade e lucidez sobre a existência desta - a mim mesma e que me põe de frente para o que considero questões filosóficas importantes.
Eñtão, a questão é: Sendo a morte, morta como outra qualquer, como podemos equivalar a morte de um ser humano, ou animal, a de uma planta?
Não querendo desmerecê-la, ou arrancar qualquer sombra de vida da planta - que não tem nada a ver com isso - mas, seria algo igual?
Morta igual, ok.
Sofridão, esperança, noção, a-vida-passando-diante-dos-seus-olhos...igual?
Acho que, reclusa enquanto ser humano, vertebrada, dotada da capacidade de me mover enquando não morta - logo, afastada da condição equivalente ao vegetal - sentindo, respirando, e sabendo do ar que entra e sai do meu corpo, vejo-me por quase uma questão de ética, inferior à condição de resposta para a pergunta.
Pois quem é planta é ela, não eu.
Não posso simplesmente querer entender o processo da nossa morte, enquanto consciente apenas do modo como eu vivo.
Ela vive também.
Então pronto.
Vamos nos ater apenas aquilo que sabemos.
Ou achamos que sim.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

santa chuva;

E a lágrima atingiu seu rosto tão rápido,
que nem ela sabia porque estava chorando.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Segue o seco.

Era o dia bem vivido,
e a noite bem dormida,
que faziam toda diferença quando voltava pra cama.

Queria entender a diferença,
entre poder simplesmente voltar algum dia,
para lugar nenhum,
ou não sair deste quando o despertador tocasse.
Sentia que fugir não faria sentido,
já que todos os dias chovem ao seu redor.
(Já que todos os dias chovem ao seu redor,
e nunca há telhados suficientes).

Contava então nos dedos,
o momento do qual começaria um novo sol.
O momento em que o relógio começaria de novo,
ou que pararia uma pouco de correr.
E assim quem sabe, deixaria de ligar para nuvem que ameaçava lá fora,
ou pro pingo de chuva que já aprontava a cair.

Deixe que chova,
em tempo aberto.
Secar mesmo,
é fato.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

prefácio

Leu a última frase da página e fechou o livro como quem não aguentaria ler mais.
Sabia porém, que voltaria àquele livro,
alguma hora,
alguma vez,
algum dia.
E o próximo capítulo estava lá,
aguardando ansiosamente para ser lido,
e quem sabe causar-lhe uma melhor impressão.
Mas não, não agora.
Só no outro dia.
Só em outra hora.
E mesmo que dado o nó na linha,
a última frase ainda se estendia,
pedindo por alguém que a entendesse,
quase que querendo se criar sozinha.
E por mais que relutassem,
se criava.
Hora após hora.
Minuto após minuto.
Esquecendo o começo chegando ao final,
e cada momento, ficando mais curto.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

paixão sem fim :)

levado pelo moinho,era como se fosse só uma folha,
que voando enquanto o vento ainda tinha seu valor,
perpassasse os olhos por cima achando tudo aquilo muito estranho.
mas vivia assim,
tomada pela alegria acometida no momento,
sabendo que iria acabar.
e se ia mesmo,
dava entrada pra outra...
e é assim que deve ser:
felicidade sempre que preciso.sempre que possível.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

o deque.

São os minutos que passam,
na desilusão da minha dança,
que tão empilhados de silêncio,
me forçam as palavras que vêm a mais.

Recusam-se a chegar na hora,
pois sinto as letras tão carregadas,
ao esperar do lápis, escorregadas,
e do ponto preto, construo o cais.

Sofro assim, sem ter paradas,
só por esperar tua perfeição,
a que vem com o passar do tempo,
e a que vai embora com a razão.

Pois então, tenho meu momento,
de concluir o que não há,
nem porque,
nem quando,
nem onde,
definir a nós, o que será.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

swim with me

Sabe o que seria um desperdício?
Não prender a respiração debaixo d'água.
Pois toda vez que puxar oxigênio,
pode mergulhar um pouco mais.






terça-feira, 11 de agosto de 2009

16-05-09

Pequei como quem pecaria novamente;
Só para ter no que flutuar mais tarde.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

de pé.

Muito poético talvez pra ele,
tentou pensar em mais nada quando olhou pro sol.
Só no sol.
Mas olhava ao seu redor e percebia que -apenas uma questão de tempo-,
em segundos pensaria sobre o lugar em que sentava,
até onde se estendia,
e quando chegaria a outra pessoa.
E afinal, qual era a novidade que havia nisso?
Em algum ponto nos ligamos a alguém.
Nos perdemos,
nós procuramos,
nos viramos por alguém.
E talvez fosse ali, o exemplo mais puro e simples de humanidade que precisava achar.
Ou chegar.
Era só levantar,
para procurar até onde seu chão acabava.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Suspiro:

o respiro que passa pelo coração.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

retrato.

Viveu como se fosse real.
Teve como se fosse dono.
Lamentou para ouvir um perdão.
E sentiu como quem afasta o tempo.

Sabia porém, que no mais tardar seria resolvido,
-e era com angústia que pensava isso-
que aquilo não adiantaria nada.
O mundo giraria, e em alguma hora aquilo pararia no mesmo lugar.
Como um ciclo.
Um círculo.
Um vício.

E pra que esquentar a cabeça?
O resto já sabia de cor mesmo...
...Melhor deixar escurecer o pó, a esperança, o início.
Quem sabe assim depois não reconheça.

("É senhora... A força só vem, quando lhe convém.")

E continuou a viver.
Olhando sempre que lembrasse,
o mesmo quadro,
e pedindo sempre que sentisse,
o desenho que havia nele.

domingo, 12 de julho de 2009

clique.

Nada mais, nada menos,
do que sou,
que já fui,
pretendo enfim ter o descomplicado.

Livrai-nos do peso que a cabeça criou,
das idéias erradas que a tecnologia mediu,
dos medos tão curtos que o tempo aumentou,
e da vida criada que o conforto seguiu.

Melhor seria, assim.
Sem fim, sem meio, sem nada.
Apenas viver de uma proposta errada,
seria apenas viver o que não é real.

Querer a mentira,
perder-se(te) no coração,
é ainda achar que o dia um dia termine.
Sem saber que assim,
nessa doce ilusão,
o que faz a ti mesmo é quase um crime.

Liberte-se por mim,
para mim, por você,
seja assim, sua só caminhada.
Que essa compreensão,
me fez entender,
o quão é bom perde-te(se) nesta nova estrada.

domingo, 5 de julho de 2009

Dunno

Não sei.


Mas sei que assim,
while the world is just turning and turning,
and keep going to somewhere,
my only reason to keep avoiding,
é saber de cor o fim;


Sei não,


Mas assim que souber,
why the world keep turning and turning,
and just going to nowhere,
the only reason to keep forgeting,
é saber o fim qualquer.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

tão; tão

Tão longe, longe,
desfez-se no meu canto,
qualquer sombra de pranto,
que possa vir a me pegar.
Tão leve, leve,
a brisa que me levou,
levou também o meu cabelo,
quando olhava para trás.
Me pese, pese,
os pesares dos meus amores,
que ensaiando as minhas dores,
acabei por decorar.
E agora é hora,
viver para ter tempo,
saber deixar querendo,
adormecer, o que sonhou.